Camiseta Branca


Não poderíamos não inaugurar essa sessão com a camiseta branca, ícone em praticamente todos os armários. Presença em tantos momentos e estilos. Roupa de cima e de baixo. De seu aconchego, a leveza de uma tela em branco ou a base de complementos múltiplos. Peça que dissolve o que nos separa, suas histórias e possibilidades são pura conexão. Entre nós, entre tempos.


O primeiro registro da peça vem de 1904, em um anúncio da Cooper Underwear Company direcionado a “homens solteiros”. Já o termo em inglês t-shirt em uma publicação apareceu no romance de estreia de F. Scott Fitzgerald, “Este Lado do Paraíso”, de 1920.



A camiseta branca, originalmente, era uma roupa de baixo. Até que no filme “It Happened One Night’, em 1938, o galã Clark Gable tira sua camisa e mostra não usar uma camiseta por baixo, começando daí a desvincular a ideia de que, por baixo das vestimentas, elas eram necessárias. E isso fez com que as vendas caíssem 40%.


Já em 1942 a capa da revista “Life” estampa um homem com camiseta de uma escola militar de aviação norte americana. A imagem de apenas roupa de baixo é quebrada e um novo estilo é confirmado. E provavelmente essa foi uma das primeiras camisetas a levar letras e figuras impressas.


Mas foi Hollywood quem a popularizou, no início dos anos 1950, através de ícones do cinema como Marlon Brando e James Dean, que influenciavam não só um comportamento rebelde e questionador como também o modo de se vestir. É excelente destacar como o símbolo da contracultura era básico assim.



A partir da década de 1960, contestando os padrões de comportamento impostos pela sociedade conservadora da época, a peça passou a ser usada pelos jovens e por diversos grupos políticos, hippies e punks como forma de comunicação, por meio de mensagens estampadas. Foi quando as mulheres também passaram a usa-las, se tornando a roupa neutra que é hoje.


E nos anos 70, os ativistas incorporaram as camisetas estampadas em protestos e explodem também as eternas camisetas de bandas.


Hoje, nem é preciso dizer o quanto essa peça segue democrática. Sua encantadora abordagem de infinitas possibilidades, da tela em branco à identidade das mensagens e detalhes criativos, antigos e contemporâneos. Uma roupa que nos acompanha em casa e em tantos outros momentos, e que não nos passa pela cabeça usar um pouco e enjoar, deixar esquecida no armário.


Como vimos, sua história é longa - leia aqui a linha do tempo completa, fonte desse artigo - e parte de movimentos marcantes. De toda essa potência, nada


mais justo e benéfico que re / olharmos para as camisetas brancas apreciando sua riqueza, e as pessoas envolvidas em cada processo. Para durar, para cuidar, para se divertir, para se tornar ainda menos impactante ao ambiente, e mais presente e aproveitada, por nós. Cada peça (clássica) importa, e muito. A camiseta branca, mantendo sua essência, segue fazendo a diferença. 🌹


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